Longa-metragem Documental · Em desenvolvimento

Alcance

Rocinha, a maior favela da América Latina. Contada por quem vive nela. Com Ruan Juliet, influenciador, morador, e co-diretor do projeto.

Formato

Longa-metragem Documental

Direção

Susanna Lira e Henrique Daniel

Co-direção

Ruan Juliet

Status

Em desenvolvimento

Co-produção

Modo Operante Produções

Quando a periferia assume a própria narrativa

Ruan Juliet cresceu na Rocinha aprendendo algo que nenhuma câmera de fora consegue reproduzir: a diferença entre observar uma comunidade e realmente pertencer a ela.

Criador de conteúdo com mais de um milhão de seguidores, Ruan construiu sua audiência mostrando a Rocinha a partir de dentro, não como espetáculo ou estereótipo, mas como território vivo, complexo e profundamente humano. Seus vídeos transformaram o smartphone em ferramenta de conexão, deslocando o olhar tradicional sobre a periferia brasileira.

O encontro entre Ruan e a Hdaniel Studio surgiu através de amigos em comum, mas rapidamente revelou algo maior: a possibilidade de construir um filme em que a comunidade deixasse de ser apenas tema e passasse a ocupar o centro da criação.

Foi dessa conversa que nasceu Alcance: um documentário que acompanha não apenas as histórias da Rocinha, mas também a transformação de Ruan em autor da própria narrativa. Um filme que propõe uma mudança radical de perspectiva, contar a periferia a partir do olhar de quem vive, cria e pertence a ela.

Quando a câmera muda de mãos

O diferencial de Alcance não está apenas no que o filme registra, mas na forma como ele é construído.

Ao longo da produção, Ruan Juliet deixa de ocupar apenas o espaço de personagem e passa a participar ativamente das decisões criativas da obra. A câmera deixa de observá-lo à distância e passa a se tornar também uma ferramenta de expressão, descoberta e autonomia.

A metalinguagem da série nasce justamente desse processo: enquanto o documentário acompanha a realidade da Rocinha, registra também o surgimento de um novo olhar cinematográfico vindo de dentro da própria comunidade.

A presença de Susanna Lira como diretora amplia essa dimensão formativa e humana do projeto, trazendo sua experiência em narrativas sociais e construção de personagens íntimos para um processo que ultrapassa o audiovisual.

Filmar na Rocinha exige mais do que estrutura técnica. Exige escuta, confiança e compreensão profunda das dinâmicas locais. Muitos dos acessos, personagens e situações presentes no filme só se tornam possíveis porque a narrativa é conduzida por alguém que pertence àquele território.

Quando a Rocinha assume a própria narrativa,
o olhar sobre ela muda também.